quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Relatos de São Leopoldo 1

Abriu ontem, no Teatro Municipal de São Leopoldo, a Segunda Reunião Mundial de Cultura, com o objetivo de promover uma avaliação da Agenda 21 da Cultura.

A Agenda acaba de completar 5 anos e tem, nas avaliações até agora realizadas, interferido positivamente no desenvolvimento local, articulando uma rede mundial de cidades cuja extensão pode ser vista em http://www.cities-localgovernments.org/ e que dialoga com a Convenção da Diversidade da Unesco.

Falando ontem à tarde, Victor Ortiz, um dos membros do comitê redator da Agenda 21 da Cultura, considera a Agenda o "protocolo de Kioto da cultura" e sugeriu a leitura Guía para la evaluación de las políticas culturales locales para quem queira aprofundar-se na questão.

No mesma mesa, Raquel Diana, falou pela Interlocal - Rede Iberoamericana de Ciudades para la Cultura. Em sua fala, considera que o capitalismo neoliberal está dando lugar a um capitalismo cultural, uma vez que a maior parte dos elementos em que se apoia o mercado tem caráter cultural. O capitalismo inventa nossos sonhos, diz Diana, lembrando que o Chile, um dos países que mais se desenvolveu nos últimos anos e também um dos países cuja população vive mais insatisfeita. Raquel Diana fez referência à Carta Iberoamericana de Cultura, produzida no no II Congresso de Cultura Iberoamericana.

Depois da palestra de David Harvey ocorreu a estréia latinoamericana do webdoc Ctrl-V::video control (Diver Cult), que marcou também o lançamento da RAIA (Rede Audiovisual Iberoamericana").

sábado, 23 de janeiro de 2010

De Adorno & Horkheimer:

Uma das lições que a era hitlerista nos ensinou é a de como é estúpido ser inteligente. Quantos não foram os argumentos bem fundamentados com que os judeus negaram as chances de Hitler chegar ao poder, quando sua ascensão já estava clara como o dia! Tenho na lembrança uma conversa com um economista em que ele provava, com base nos interesses dos cervejeiros bávaros, a impossibilidade da uniformização da Alemanha. Depois, os inteligentes disseram que o fascismo era impossível no Ocidente. Os inteligentes sempre facilitaram as coisas para os bárbaros, porque são tão estúpidos. São os juízos bem informados e perspicazes, os prognósticos baseados na estatística e na experiência, as declarações começando com as palavras: "Afinal de contas, disso eu entendo", são os statements conclusivos e sólidos que são falsos.

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(Dialética do esclarecimento, p. 195)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O pior preconceito é aquele que vem dos próprios gays enrustidos. São eles que mais ferrenhamente atacam — pela imprensa, dos púlpitos, nas cátedras — o homossexual assumido.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Teologia cínica.

Tenho observado que as catástrofes são combustível poderoso não apenas para a imprensa sensacionalista (quase toda ela), mas também para o exercício dos "teólogos" de plantão, que as usam para justificar a sua insensata fé e metê-la goela abaixo na cabeça dos outros.

Não ingênua, mas imbecilmente, tentam enfiar na cabeça do seu vingativo deus a carapuça da bondade, embora leiam os horrores dos tsunamis, das inundações, dos vendavais e dos terremotos como obras da vontade divina. Preguiçosos, não se dão ao trabalho do silêncio, única atitude que cabe nestes momentos, quando nem mesmo a ciência consegue erguer com segurança a voz, apesar de sua fantástica memória e de sua sistemática coletivamente construída ao longo dos séculos.

Vazios de percepção e de sentido, esses "pensadores" praticam descaradamente, com o apoio da imprensa, uma nauseante teologia do cinismo! Cruzes!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Achadinhos.

Fui um usuário regular dos coletivos urbanos. Grande parte dos livros que li na juventude foi nos pontos de ônibus e filas de espera. (Será que é para estimular a leitura que as empresas deixam os passageiros esperando tanto tempo nos pontos, ainda hoje?)

Tinha vez que eu botava os passes e o dinheirinho entre as folhas dos livros. Daí que, agora, quando os releio, vou achando anúncios, notas fiscais, vestígios da época e também uma ou outra cédula perdida e passes esquecidos. Como estes.


Interessante reparar o carimbo: "Válido até 15 dias após próximo reajuste". É que, à época, a inflação andava a mil!