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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Um tesouro em minha biblioteca.

Tempos atrás adquiri num sebo de São Paulo um exemplar da edição madrilenha de 1909 do Cantares gallegos, de Rosalía de Castro. A edição é bonita: capa revestida de tecido estampado e papel de boa qualidade (que, em 100 anos, ainda não foi tocado pelos cupins nem pelas traças).
Fiz apenas leituras casuais dos poemas de Rosalía, que já havia conhecido em outras oportunidades.
Somente agora fui realmente prestar atenção ao livrinho que comprara mais por interesse na língua da Galícia (ancestrais da minha família vieram de lá).
Em primeiro lugar, um ex-libris de Manuel A. Ortiz. Quem foi Manuel? Conto depois.
Então, por entre as páginas do pequeno livro, acabei descobrindo 3 recortes de jornais que não tinham jamais aparecido antes porque estavam praticamente colados ao papel do livro. Três recortes emblemáticos de jornais da Galícia, um deles, provavelmente, do "Nós", o outro do "Faro de Vigo" e o terceiro não é possível saber.


[Continua depois do Carnaval ;) ]

domingo, 4 de janeiro de 2009

O que reúne os escritores numa comunidade intelectual é a grande conversação em que estão envolvidos. Nos trabalhos mais recentes de um certo período, encontram-se autores que atentam para o que seus predecessores tiveram a dizer sobre esta ou aquela idéia, sobre este ou aquele tópico. Tais autores não apenas escutam as idéias de seus antecessores, como também lhes dão respostas, comentando-as de muitas formas.

(Mortimer Adler: "The Great Conversation Revisited," in The Great Conversation: A Reader's Guide to Great Books of the Western World, Encyclopædia Britannica)

sábado, 29 de novembro de 2008

"Os palhaços"

Foi lançado na última quarta-feira o texto teatral de Miraci Dereti que, por censura verbal, não pôde ir à cena na Lyra em 1968.

Trata-se de Os palhaços, que Cristóvão Petry organizou e publicou com o apoio do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura.

Além da peça de Miraci Dereti, transcrita a partir de dois textos originais com anotações do autor realizadas provavelmente durante os ensaios, o livro traz um estudo do próprio Cristóvão Petry sobre a censura e sobre o contexto em que Os palhaços foi censurada, trazendo à tona algumas borbulhas da história do nosso teatro nos anos 60-70. Lendo-o, deu vontade de partir para uma pesquisa séria a respeito do período e das razões pelas quais nosso teatro simplemente desapareceu no início dos anos 1970. (Somente nos últimos anos dessa década é que voltaram a surgir iniciativas mais consistentes de ocupação da cena, seguidas pela efervescência ocorrida na primeira metade dos anos 80.)

O tema taí. Sei que há pessoas mexendo com ele. Um dia precisaremos tramar todos os fios.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Coincidência.

Acabo de ver Ensaio sobre a cegueira ("Blindness"), de Fernando Meirelles, construído a partir do livro de Saramago.

Deixei o cinema com o espírito perturbado, quase da mesma forma como quando terminei de ler o livro, na noite de 3 de dezembro de 1995.

Hoje não é 3 de dezembro e também não será pelo filme que faço este registro - é mera coincidência, mas a data precisa ficar marcada em algum lugar: minha vida, a partir de hoje, será outra, sutilmente outra, encarada com um olhar mais inquieto e solitário, porém mais lúcido e banhado de realidade. Pelo menos por uns anos.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Nacos de paraíso.

Fui anteontem a Barrrancos, em Garuva, para o lançamento do livro de Gleison Vieira, Porto Barrancos berço de Garuva.
Tendo saído já atrasado de Joinville, acabei chegando depois do evento. Mas, tive oportunidade de saudar o prefeito João Romão, além do autor, Dona Lucila e outras pessoas - e de apreciar o peixe frito e a sopa de peixe que a comunidade havia preparado para o aniversário de 200 anos do lugar.
Fiquei admirado com o respeito dos presentes (gente de Garuva, Itapoá, Joinville) para com o trabalho do jovem historiador. Bom começo de carreira para Gleison Vieira, que é professor na escola Carmen Seara Leite, onde comecei meus estudos em 1960.
Fazia tempo que eu não passeava pela região. Atravessei o estreito do Gibraltar (na Vigorelli) com a balsa do meio-dia. Claro, tive de dar uma paradinha no recanto que existe logo depois que tomamos a estrada de Barrancos (em Tornos dos Pintos), onde, na semana passada, fiz umas fotos bem convidativas.
No ir e voltar desse cantinho de mundo, coletei outras imagens, algumas delas da grande pedra do Cantagalo, que já fotografei de numerosas posições por toda a região. Um dia espero ter a paciência e a determinação do Gleison para coletar os causos que a gente do lugar conta acerca desse morro, o ponto mais alto da Serra de Barrancos, uma extensão da Serra do Mar que se estende de Garuva até o distrito do Saí, na Vila da Glória.