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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Merece leitura:

Para quem ainda tenha dúvida sobre a importância de livrar-se dos preconceitos e das travas contra a liberdade afetiva, taí um texto que merece ser lido:


A revolta dos perdigotos

João Ximenes Braga


Homoterrorismo é a desimportância em desespero. A sexualidade é inalterável e inatingível. E quando se trata de sexualidade, só existe uma coisa no mundo que consegue ser mais desprovida de importância que a opinião pessoal: o julgamento moral. Você pode julgar quanto quiser a sexualidade alheia. Não tem importância. Você pode ser hétero e fazer a elegia dos seus amigos gays. Não tem importância. Você pode ser gay e fazer piadas maldosas sobre o comportamento “careta” dos héteros. Não tem importância. Eles não deixarão de ser o que são.

Você pode ser conservador e barrar leis no Congresso, fazer passeatas pela família, dizer que o mundo está acabando, que Deus vai punir a todos. Não tem importância, não passa do registro da fofoca, ninguém vai deixar de se deitar com quem quer. Pode até deitar escondido, ou demorar a criar coragem, mas vai deitar. Deitar e suar e trocar saliva e outros fluidos que, com sorte, ficarão na camisinha.

E você pode achar isso nojento. Mas não tem importância. Pois a sua opinião e o seu julgamento sobre a sexualidade alheia não tem importância. Porque é alheia. Se é alheia, é do outro; se é do outro, não é sua; não sendo sua, não vai mudar por sua causa.

Você pode ser deputado crente ou padre pitboy, pode ser simpatizante ou skinhead, pode ser presidente do Irã ou suplente do PTC, grandes coisas, azar o seu, a sexualidade alheia continuará a não ser da sua conta. O pessoal vai continuar deitando e suando e trocando saliva enquanto você desperdiça os seus perdigotos uivando indignação pelas esquinas.

Aí, numa desesperada tentativa de não admitir que seu julgamento moral é inútil, você joga uma bomba. Você pode até matar alguns indivíduos. Ferir outros. Emperrar a vida de muitos. Vãs tentativas de ter importância, pois não vai, jamais, impedir que o mundo gire, a lusitana rode e as pessoas se deitem com quem quiserem, como quiserem. Seu julgamento moral e sua opinião, quaisquer que sejam, serão para sempre da mais profunda desimportância.

A não ser, claro, para você mesmo. Pois como diz Tennessee Williams na voz de Chance, o protagonista de “Doce pássaro da juventude”, a grande diferença entre as pessoas neste mundo “não é entre quem é rico e pobre, bom ou mau.

É entre quem tem ou teve prazer no amor e quem nunca teve prazer no amor, apenas observou, com inveja, inveja doentia”.

Nota de esclarecimento

Fundação Cultural de Joinville
e
Associação Cultural
Festival Mix Brasil de Cinema e Vídeo


Em virtude de comentários realizados a respeito da campanha do Festival Mix Brasil de Cinema e Vídeo, evento que integra a Semana da Diversidade de Joinville, a Fundação Cultural de Joinville vem a público informar que esta é uma criação nacional e que em momento algum tem como objetivo ofender aos cidadãos.

Como o próprio mote – impresso nos panfletos e cartazes – a campanha parte do conceito “O QUE É ESTRANHO PARA VOCÊ?”. O trabalho feito pela agência da Associação Cultural Festival Mix Brasil de Cinema e Vídeo, em São Paulo, é reconhecido como uma obra de arte e seu papel é justamente o de provocar a reflexão sobre as diferenças e a diversidade, jamais excluir ou prejudicar. Assim, dentro de um conceito artístico, a figura feminina que aparece na campanha, não necessariamente é o de uma mulher.

Para se ter idéia da projeção deste trabalho no Brasil, e na América Latina, basta informar que o catálogo oficial do Festival Mix Brasil de Cinema e Vídeo – feito com a mesma imagem – tem como patrocinadores a Petrobras, a Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual (CADS), a Prefeitura da Cidade de São Paulo e o Governo Federal.

O Festival Mix – com esta mesma campanha publicitária - também recebe apoio cultural da Fundação Clóvis Salgado (Palácio das Artes), Governo de Minas, Secretaria de Cultura da Cidade de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura (SP), Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania (SP), Governo do Estado de SP, Ministério da Cultura/ Lei Rouanet, Sesc SP.

No apoio institucional do evento estão, por exemplo, a Embaixada de Israel, o Museu de Arte Moderna (MAM/SP), o Museu da Imagem e do Som (SP), o Consulado Geral da Suíça em SP, o Centro da Cultura Judaica, o Instuto Goeth (SP), a Embaixada da Espanha no Brasil e o Centro Cultural da Juventude.

Entre os parceiros do evento estão empresas como TeleImage e entre os Promotores a Rede Globo de Televisão e Jornalismo e o provedor UOL.

Em Joinville a campanha de rádio e televisão conta com patrocínio do grupo RBS por meio da Itapema FM.

A Fundação Cultural de Joinville, a Organização Nacional do Mix Brasil e as entidades envolvidas na organização da Semana Diversidade Joinville não entendem que um trabalho reconhecido nacional e internacionalmente ainda cause esse “estranhamento em Joinville”, o que reforça, ainda mais, a importância da Semana da Diversidade e o papel do Mix em Joinville.


Nota distribuída pela Assessoria de Comunicação da Fundação Cultural de Joinville.

É preciso insistentemente dessacralizar o sagrado para tornar cada vez mais sagrada a vida.

Sábado, 20 de Junho de 2009

Exijo do Destino!

(BG)

Exijo sentir agora
mágua de amor traído
lágrima rolando em cara limpa
a contração no peito
o frio de fogo no abdome
(como se fosse lá meu coração)
(como se meu coração sentir pudesse)


Exijo ser bicho normal
capaz de sofrimento e de tristeza
capaz de converter a mágua
em generosa compaixão
fazer do abandono poesia
(não este ser raivoso e cego
que assanha a alma no despeito)


Exijo do destino
poder sentir a dor
poder chorar e perdoar.

Domingo, 31 de Maio de 2009

Aos cristãos homofóbicos.

Não do fundo do abismo,
mas do direito de todos
clamo a vós.
Ouvi a voz de quem se sente parte
não de um gueto, nem do cristianismo, apenas,
mas da grande humanidade,
da comunidade geral da vida no Planeta.

Por que vos sentis no direito de olhar
com vosso ódio cristão
uma tão grande parte de homens e mulheres,
se vosso Deus manda amar os vossos semelhantes?
Que crença é a vossa, meu Senhor, minha Senhora,
que antepõe o ódio à caridade?

Passou o tempo da velha lei,
passou o tempo
da espada,
das fogueiras,
das cruzadas,
da guilhotina,
dos triângulos no peito,
dos campos de concentração,
dos fornos...

Pode ser que outrora houvesse dúvidas,
hoje não há mais:
cada qual é senhor do seu destino
e há leis cristalinas sobre os direitos seus,
sobre os direitos meus,
sobre os direitos de todos.

Passou o tempo em que senhores mal-amados,
toscos e obtusos,
manipulando astutamente os livros sagrados,
podiam impunentemente conduzir
multidões ao suicídio ou à guerra.

Somos um povo de paz,
vivemos um tempo de certa lucidez,
de sensatez maior.
Não somos mais ovelhinhas
sob os bordões dos pastores.
Não somos mais loucos alucinados
atirando pedra nos pecadores
e queimando os próprios filhos
por acreditarem noutros deuses.

Com base em que,
minha Senhora, meu Senhor,
com base em que você,
cristã, cristão,
se acha no dever ou no direito
de condenar seu irmão?

Domingo, 4 de Janeiro de 2009

O que reúne os escritores numa comunidade intelectual é a grande conversação em que estão envolvidos. Nos trabalhos mais recentes de um certo período, encontram-se autores que atentam para o que seus predecessores tiveram a dizer sobre esta ou aquela idéia, sobre este ou aquele tópico. Tais autores não apenas escutam as idéias de seus antecessores, como também lhes dão respostas, comentando-as de muitas formas.

(Mortimer Adler: "The Great Conversation Revisited," in The Great Conversation: A Reader's Guide to Great Books of the Western World, Encyclopædia Britannica)

Prêmio Dardos

Durante estes poucos mas amenos dias de férias, meu BGlog recebeu duas vezes o Prêmio Dardos: de João M. Jacinto e de Carmen Fossari. Afastado da internet e, por isso, mergulhado com todas as antenas no real-concreto dos encontros, das festas e dos outros encantamentos do fim de ano, só agora reajo às honras recebidas.

Entendo o Prêmio Dardos como uma forma de compartilhar com outros as boas descobertas que fazemos na blogosfera, universo cada vez mais surpreendente e inalcançável na sua consistência a não ser passo a passo, enveredando por um, chegando ao seguinte e dali a outro e outros exercícios de diálogo nesta nova e fantástica Grande Conversação que a tecnologia digital nos propicia.

O prêmio Dardos

Reconhecem-se os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.

Quem recebe o Prémio Dardos e o aceita deve seguir algumas regras:

  1. exibir o selo do prêmio;
  2. criar vínculo para o blog do qual recebeu o prêmio;
  3. escolher outros 15 blogs a serem premiados.

Porque ainda sou novo ;) na blogosfera, tomo a liberdade de oferecer o Prêmio Dardos a apenas 12 iniciativas:

Toda a literatura é uma longa carta a um interlocutor invisível, presente, possível ou futura paixão que liquidamos, alimentamos ou procuramos.
“Novas Cartas Portuguesas”
Maria Isabel Barreno,
Maria Teresa Horta,
Maria Velho da Costa

Sábado, 27 de Dezembro de 2008

Coisinha-de-Nada.