quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Granizo em Joinville

Acabei de assistir a uma chuva de pedra – o que me trouxe a infância de volta. Ficamos ali, no limiar do boteco, impotentes, contemplando as pelotinhas brancas a atacar as latarias dos nossos carros. Não fotografei porque esqueci.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

ASSASSINARAM LAIKA LITE

A chegar em casa, esta tarde, encontrei nossa cadelinha estrebuchando, tremendo e já toda entrevada.

Corri com ela imediatamente para o veterinário - Foi chumbinho, ele disse, enquanto ministrava à cadelinha os medicamentos de praxe.

Há pouco, ele me notificou a morte dela.

Temos por aqui um morador absurdo. Ninguém sabe quem é. Já perdemos dois gatos; os vizinhos da frente quase perderam seu cachorrinho. Meu irmão, que morava ao lado, teve também um cachorro envenenado.

Dá vontade de sair à caça do filho-da-puta, mas a tristeza não deixa: um animal assim como esse vizinho imbecil talvez não mereça tanta atenção: um dia, de tanto lhe querermos mal, ele haverá de ir também, estrebuchante e sozinho, meter-se na sua cova.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Horta Comunitária Girassol

Não poderia deixar de participar do lançamento oficial da horta comunitária localizada nas imediações da minha casa. Com o tempo livre reduzido e a impossibilidade de cuidar sistematicamente da minha própria horta, vinha pensado numa alternava. Ela já existia e era um programa do governo federal chamado Hortas Urbanas. 

Em Joinville são quatro, já. A do Jardim Iririú – a Horta Comunitária Girassol – vem produzindo hortaliças e legumes não-envenenados há alguns meses. E eu não sabia!

Ontem, o prefeito Carlito Merss fez a entrega oficial do terreno público onde funciona a horta, que é tocada por voluntários e atende famílias carentes cadastradas. Quem trabalha na horta pode usufruir também de seus produtos. O excedente é, vendido para a comunidade por preços convidativos.

E quem disse que eu conseguiria?

Só pensei que conseguiria manter regularidade nos relatos de nossa viagem pelo Norte-Nordeste. Embora tenha escrito, sim, longos relatos acerca da viagem, eles ficaram lá no meu caderno, manuscritos nos aviões, nos bares, nos hotéis... Mas quem disse que tive ou tenho paciência para digitá-los agora? Então, que fiquem lá até que esta paciência pinte.

Enquanto isto, aqui no BGlog, vou tentando retomar meus balbucios esporádicos.

domingo, 18 de setembro de 2011

Manhã em Manaus.

Chegamos a Manaus ontem à tarde, depois de uma tranquila viagem de Gol. Do avião, sempre em meio a uma poderosa nuvem de névoa seca (fumaça das queimadas), pudemos ver de longe coisas mais ou menos conhecidas por meio de referências, mas sempre distantes: as grandes represas (reconheci a Represa de Privamera, assentamentos, as infindas retas das estradas, partes das chapadas, os pedacinhos que sobram do cerrado, os campos do Mato Grosso do Sul, e Campo Grande e Cuiabá (onde paramos), além da eterna colcha de retalhos dos campos cultivados (praticamente nada mais resta sem intervenção humana até bem depois de sairmos de Porto Velho, cruzando o rio Madeira e sobrevoando a(s) BR(s) 174(319), que atravessa o verdejume quase negro da floresta. A maior emoção foi ver ao longe o Solimões que se aproximava e quase não cabia nos olhos de tão grande. Mas, nada como ver, logo depois, a enormidade do rio Negro!

Primeiro ritual para marcar a chegada em Manaus: jantar pirarucu grelhado na frente do Teatro Amazonas e, depois, ir ao Teatro para ver a terceira apresentação gratuita para a cidade da produção recente da Orquestra de Violões de Manaus, acompanhada do Coral e do Ballet Experimental do Teatro Amazonas.

O espetáculo é bem singelo, mas bonito. Para mim, um momento fascinante: sentar-me diante do palco onde Fitzcarraldo pôde assistir à última cena de Lucia de Lamermoor (se bem lembro), após convencer o porteiro (interpretado por Milton Nascimento) a deixá-lo entrar atrasado no TA. Mais marcante por se tratar de um espetáculo com música produzida em Manaus e falando da Amazônia!

Agora, da sacada do hotel, ouvindo um sambinha executado por um senhor baiano-carioca de muito boas maneiras (encarnação de Caymi misturado com Vinicius de Moraes), contemplo ao longe o encontro nascimento do Amazonas a partir do encontro Solimões com o Negro. 40 graus. Sol a pino. Cá estou, portanto, no meu destino. Por quatro dias.

sábado, 17 de setembro de 2011

RUMO AO SOL A PINO: incursão para além do Paralelo -5.

Os apontamentos a seguir servirão apenas para compartilhar uns rápidos registros rápidos de minha primeira viagem para perto do equador brasileiro: Manaus, Santarém, Belém e Natal.. Depois, com alma e calma, distilarei os efeitos que, já sei, serão duradouros, deste contato com o Brasil que sempre soube existir... mas que continuava a ser, para mim, quase puramente mitológico.

sábado, 13 de agosto de 2011

Cena 8

Começou ontem a 8a. Mostra de Teatro de Joinville. Confira programação em http://www.teatroemjoinville.com.br/.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Debate em debate

Carta aberta de Charles Narloch / Fundação Cultural de Joinville em resposta ao texto de Eduardo Baumann, publicado no altjoinville, em 12/05/2011.

As críticas apontadas na carta aberta do performer Eduardo Baumann, à organização dos fóruns setoriais de cultura em Joinville - que iniciam neste final de semana - levantam questões que preocupam a Fundação Cultural de Joinville. Toda a metodologia, datas e forma de convocação da sociedade civil, têm a participação direta dos integrantes do Conselho Municipal de Política Cultural - CMPC-Jlle. Os representantes dos segmentos contemplados no CMPC-Jlle foram eleitos democraticamente na última edição da Conferência Municipal de Cultura, em 2009, que contou com a participação de aproximadamente 600 pessoas.

Tais segmentos, hoje representados no Conselho, refletem exatamente as deliberações da Sessão Plenária desta mesma Conferência. Portanto, não são arbitrárias as definições de contemplar nos fóruns alguns segmentos em detrimento de outros, como sugere o performer, que participou ativamente de todas as fases de construção do atual modelo de gestão participativa e foi um dos principais articuladores da primeira edição da Conferência Municipal de Cultura, em 2007.

O Sistema Municipal de Cultura, do qual são partes constituintes o Conselho Municipal de Política Cultural, os Fóruns Setoriais e a Conferência Municipal de Cultura, dentre outras instâncias participativas de pactuação de políticas públicas de cultura com a sociedade civil, é uma realidade em Joinville. Seu modelo foi aprovado como a principal deliberação da última Conferência e, justamente por isso, quando foi encaminhado como projeto de lei à Câmara de Vereadores, foi aprovado por unanimidade naquela casa (Lei no 6.705, de 11 de junho de 2010). A existência destas instâncias não é prerrogativa de um Governo, mas se consolida como política de Estado, já que se configura como marco legal amplamente debatido. São raros os municípios do Brasil que já possuem estas instâncias garantidas por lei.

Quanto às reuniões dos Fóruns, todas as datas foram definidas pelos representantes eleitos da sociedade civil (e não por membros do Governo Municipal, como sugere o texto), após inúmeras consultas e encaminhamento de questionário/diagnóstico, por email, desde o mês de abril. A duração das plenárias (também questionada na carta) foi definida em consulta aos membros da sociedade civil que atuam no CMPC-Jlle.

Quanto à divulgação dos Fóruns, a Fundação Cultural de Joinville reconhece suas dificuldades momentâneas, especialmente quanto à ausência de seu site principal, atualmente em reformulação e previsto para ficar novamente online até o final deste mês. Entretanto, todas as informações do CMPC-Jlle, Fóruns e Conferências, continuaram neste período sendo divulgadas normalmente, por meio dos blogs do Conselho (www.cmpc-jlle.blogspot.com), da Conferência Municipal (www.conferenciadeculturadejoinville.blogspot.com) e do SIMDEC (www.blogdosimdec.blogspot.com), e por emails encaminhados pelos representantes da sociedade civil nesse Conselho.

Os Fóruns Setoriais, que durante este mês serão reunidos pela primeira vez após a aprovação da lei do Sistema Municipal de Cultura, terão papel fundamental na elaboração dos diagnósticos setorizados e na priorização das ações, definidas exclusivamente pela Sessão Plenária da Conferência Municipal de Cultura (disponíveis desde 2009 no blog da Conferência). São estas metas, diagnósticos, e ações – pactuadas por deliberação da sociedade civil – que constituirão a base do Plano Municipal de Cultura de Joinville, previsto para os próximos dez anos. Tal Plano, como prevê a legislação vigente, também será submetido à Câmara de Vereadores, para que se consolide como marco legal.

A Fundação Cultural de Joinville estimula o debate e reconhece a importância do performer Eduardo Baumann como partícipe da construção das políticas culturais hoje praticadas em Joinville. E espera, com esta manifestação pública, ter esclarecido alguns questionamentos. Por fim, manifesta sua total concordância com alguns pontos da carta aberta, especialmente em sua finalização, que tomamos a liberdade de transcrever por considerar absolutamente pertinente:

"Cabe a todos os envolvidos no processo da cultura - criadores, produtores, receptores - assumir sua efetiva condição de agentes da política no setor e chamar para si a organização desse debate acerca do que queremos para o segmento em nossa cidade" (Eduardo Baumann, em carta aberta de 12/5/2011).

Joinville, 12 de maio de 2011.

Charles Narloch
Diretor Executivo
Fundação Cultural de Joinville

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Caríssimo Leonardo

Borges de Garuva
Publicado em A Notícia, em 8/04/2011.

Sou admirador das tuas ideias, compartilho tuas preocupações e me inspiro nos teus escritos ao decidir sobre minhas atitudes de cuidado e respeito para com nosso planeta.

Ouvi tua fala na 8a. Feira do Livro de Joinville, surpreso com as 2.000 pessoas e o respeito de adolescentes, jovens e adultos em relação às tuas palavras. A presença de estudantes, professores e outros trabalhadores, artistas, empresários, funcionários do governo e vereadores revela também o alcance social das tuas ideias.

Fascinam-me a clareza com que te diriges às pessoas e a agudeza com que denuncias aspectos predatórios do nosso modo de vida. Da mesma forma, valorizo o fato de termos um representante nosso a interferir nos fóruns em âmbito nacional e planetário – sobretudo porque podemos confiar nas tuas posturas e na pertinência da tua indignação e do teu aconselhamento.

Reconheço a força dos princípios ou valores de mudança que propões para desenvolvermos uma nova consciência e novas práticas visando legar para o futuro uma Terra habitável.

Entretanto, mesmo podendo parecer pretensioso, gostaria de deixar aqui uma contribuição em relação ao sétimo princípio.

O avanço civilizatório do ecumenismo possibilitou, nas últimas décadas, a inclusão mútua de uma ampla diversidade de abordagens da fé — e percebo, quando escolhes o termo "espiritualidade" como o sétimo valor a ser cultivado para a construção desse mundo melhor, que te referes a esse avanço congregador das sociedades.

Porém, por sua configuração histórica, a espiritualidade — definida principalmente como busca pela transcendência ou como cultivo dos valores metafísicos — exclui uma parcela significativa da população da Terra, algo em torno de um bilhão de indivíduos que não são adeptos de nenhuma crença: os que se definem e/ou são não-religiosos, os agnósticos, os que cultivam práticas ancestrais mas não religiosas de relação com a natureza e também os ateus.

Sugiro, então, que como sétimo princípio seja adotada a cultura da contemplação (lembro Alcione Araújo, teu parceiro no livro de Emir Sader, "Os sete pecados do capital"), capaz de incluir tanto a espiritualidade dos crentes quanto aquele encantamento cósmico dos descreventes, que, ao longo da história, tem produzido — bem longe dos altares — contribuições respeitabilíssimas para o conhecimento e a preservação da Mãe Terra e sua maravilhosa diversidade, nascidas de um materialíssimo amor darwiniano pela natureza.

domingo, 17 de abril de 2011

terça-feira, 5 de abril de 2011

Dia Mundial da Dança

Mensagem oficial para o Dia Mundial da Dança, 29/04/2011

Durante a maior parte da história da humanidade, a dança acontecia ao ar livre. As pessoas reuniam-se nas clareiras das florestas, nas praças dos vilarejos, nos átrios das igrejas ou nos celeiros para desfrutar, por horas e horas, do prazer de dançar. Hoje, a dança é praticada sobretudo nos salões de baile, nos clubes, nos teatros, nos salões nobres das escolas, em estúdios, em discotecas...

Para este ano, propomos que se dê um passo em direção à natureza celebrando o Dia Mundial da Dança em espaços abertos: ruas, praças, parques, estádios, praias, estacionamentos, clareiraS - em qualquer lugar a céu aberto.

O desejo de dançar é um impulso natural. Quem dança celebra a natureza, conecta-se ao universo e sente sua essência jorrando através de si.

Ao longo de todo o ano ensinamos dança, ensaiamos, dançamos entre quatro paredes. Neste dia especialmente dedicado à dança, façamos a diferença praticando, ensinando ou dançando para que todo mundo veja. Faça frio ou sol e mesmo que o piso não seja tão bom e o vento abafe a música, a beleza dos movimentos e a alegria no rosto dos bailarinos iluminarão o coração do público espontâneo dos transeuntes.

Prof. Alkis Raftis
Presidente do Conselho Internacional da Dança Council (CID / UNESCO, Paris)

domingo, 27 de março de 2011

Saudades...

Antônio Bonequeiro. 12/01/2006, no Bar do Paulinho, onde nos encontrávamos com frequência.

quinta-feira, 10 de março de 2011

O grande e indizível mal no cerne da nossa cultura é o monoteísmo. A partir de um texto bárbaro da Idade do Bronze, conhecido como o Antigo Testamento, evoluíram três religiões anti-humanas - o judaísmo, o cristianismo e o islã. São religiões de deus-no-céu. São, literalmente, patriarcais - Deus é o pai onipotente -, daí o desprezo às mulheres por 2.000 anos nos países afligidos pelo deus-no-céu e seus enviados masculinos terrestres.


O deus-no-céu é, naturalmente, um deus ciumento. Exige obediência total de todo mundo, uma vez que aí se encontra não apenas para uma tribo, mas para toda a criação. Aqueles que o rejeitam devem ser, para o seu próprio bem, convertidos ou mortos. Assim, o totalitarismo é a única forma de política que pode servir aos propósitos do deus-no-céu. Qualquer movimento de natureza libertária ameaça sua autoridade e a de seus delegados na terra. Um só Deus, um só Rei, um só Papa, um único senhor na fábrica, o pai-líder na família.
(Gore Vidal, Monotheism and its discontents)

domingo, 6 de março de 2011

Carnaval de Joinville 2011

Durante muitos anos, desde os tempos do primeiro governo Freitag, Joinville ficou sem Carnaval porque, segundo uma fatia poderosa e espertalhona da cidade, o povo joinvilense é um povo trabalhador e não gosta de carnaval.
Pois, desde que a Fundação Cultural decidiu retomar a festa mais popular do Brasil nosso Carnaval vem crescendo e ficando cada vez mais gostoso. Em 2009, tivemos cerca de 15.000 pessoas no Mercado Público. Como o espaço ficou pequeno, o endereço mudou em 2010 para a Dario Salles / Praça da Bandeira. Perfeito: perto de 25.000 pessoas caíram na folia. Agora, em 2011, mesmo em meio aos pampeiros periódicos, a praça recebeu na primeira noite umas 8.000 pessoas e, ontem, bateu a casa dos 20.000 de novo, pelo que o olhar indica.

Taí: 3h40min da manhã, de costas para o palco, que está a uns 20 metros atrás de mim. Dá pra ver que o povo joinvilense odeia Carnaval. Eita!

"(...) nesse meu mundinho privilegiado em que o machismo me afetou muito pouco, por que fui e continuo sendo feminista? Talvez por que nunca achei que o mundo girasse em torno de mim. Não sou pobre e, no entanto, empatizo com eles, quero que a vida deles melhore, voto em partidos que governam pra eles. Não sou homossexual, mas fico indignada que alguém queira negar-lhes direitos que deveriam ser de todos. Não sou negra, mas reconheço o enorme abismo que ainda existe entre negros e brancos, e sou a favor de medidas paliativas como as cotas." (Lola Aronovich)

De Meu feminismo não é pra mim, em Cartas da Lola, A Notícia, 06/03/2011, (Anexo ideias, p. 4)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Simdec: a carta que mandei para A Notícia.

A escandalosa carta de Laura Gelly (publicada provavelmente na íntegra na edição desta quinta-feira) é um atentado à honra dos artistas e agentes culturais de Joinville (cidadãos e instituições), além de ser, obviamente, um atentado contra a coisa pública: o Simdec é uma conquista desta cidade, um dispositivo de política pública voltada para a promoção da arte e da cultura, equivalente aos que existem em outras áreas do governo (habitação, agricultura, indústria, comércio, turismo) nas quais políticas públicas como o Simdec permitem o fomento à produção e à geração de emprego e renda.

Outros farão do Simdec melhor defesa do que eu. Mas, como cidadão e como agente cultural desde os ans 70, devo esperar que os fruidores de arte e cultura, os artistas e as instituições até hoje apoiadas pelo Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura se levantem para a defesa da coisa pública, contra os desaforos irresponsáveis de Laura Gelly, marcadas por um irracionalismo, que, sabemos, não é só dela. Sua incompetência como cidadã é apenas uma pontinha daquele parcel que manteve a cultura joinvilense por tantos anos à mercê de meceninhas e cabos-eleitorais aboletados nos seus balcões de negócio.

Quem desejar conhecer melhor o Simdec de Joinville (respeitadíssimo e exemplo para os sistemas de apoio à cultura em várias outras cidades), visite seu portal, em http://www.simdec.com.br/.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Teatro Invade.

Momento importante para o teatro joinvilense foi o lançamento, esta noite, no Museu de Arte, do documentário de Fábio Porto sobre o projeto Teatro Invade, realizado em 2010 com recursos do edital Elisabete Anderle.

Espero poder escrever com mais detalhe sobre o acontecimento.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O poder da imprensa (minirreflexão).

À página 14 (An.Mundo) da sua última edição dominical, A Notícia publicou uma matéria evidentemente irresponsável, assinada pela jornalista Laura Schenkel, do Zero Hora: As mulheres de Berlusconi. Esta chamada sintetiza os equívocos do texto: "Poderoso. Dono de um time de futebol. Mulheres. Muitas. São tantas que poderiam formar um calendário".

Dois problemas: (1) a matéria parece tratar de um grande ator cinematográfico – um personagem glamuroso de Hollywood – e não de um réu que responde a processo na corte italiana, e (2) a chamada "esquece" precisamente o que é mais importante: Berlusconi não é apenas dono de um time de futebol, mas também DE UMA ENORME REDE DE TELEVISÃO, com tentáculos plantados em diversos campos da comunicação.

Como leitor de A Notícia, senti-me no direito de expressar a minha irritação com essa matéria ao que tudo indica comprada pela máfia berluscosa, e escrevi para o jornal a seguinte mensagem:

Assumo aqui, voluntariamente, o papel de ombudsman.


Fiquei bastante preocupado com a matéria (quase escandalosa, eu diria) sobre esse inescrupuloso usurpador que, valendo-se do seu poderio de comunicação, assenhoreou-se do governo da Itália e está fazendo gato-e-sapato desse país.


Parece-me que a matéria - quase um anúncio comercial de cinema promovendo o crápula a saudável herói - foi plantada pela rede do próprio Berlusconi na RBS e, pelas mãos de Laura Schenkel (Zero Hora), está se distribuindo por suas outras unidades, entre elas, A Notícia.


Creio que o jornalismo precisa ser mais responsável para poder ser respeitado.


Pois bem, a mensagem foi publicada hoje, assim editada:

Fiquei bastante preocupado com a reportagem sobre esse inescrupuloso usurpador que, valendo-se do seu poderio de comunicação, assenhorou-se do governo da Itália e está fazendo gato e sapato daquele país. Creio que o jornalismo precisa ser mais responsável para poder ser respeitado.

Perfeita a edição, não? Por essas e outras é que bandidos como Berlusconi acabam se perpetuando no poder.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sobre o novo curta de Fábio Porto.

Gostei. Bem-humorado. Parece que o roteiro e a direção vão caminhando numa corda bamba do início ao fim do curta - sem afundar em exageros nem se perder nas superfícies. O que era para ser brincadeira provocante, virou um recurso capaz de puxar vários fios para boas conversas a respeito da produção artística em Joinville e do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura, o Simdec.

Nos papos após a première quatro temas foram recorrentes: (1) o imperativo da defesa do Simdec (Joinvile é um dos raros municípios que adotam esta forma democrática de distribuição de recursos para a área artístico-cultural); (2) a complexidade do trabalho da CAP e das bancas de seleção (que têm de escolher entre numerosos projetos, a partir de diversos critérios, os que deverão merecer os recursos do mecenato e do edital; (3) o reconhecimento da evolução das propostas a cada ano que passa, somado à percepção de que o Simdec não deve ser considerado a única fonte de recursos para a criação artística; e (4) a importância da apresentação de bons projetos, completos e corretos (com toda a documentação solicitada, redigidos em termos claros na descrição do seu objeto, na justificativa da proposta, nos seus orçamentos e nas suas contrapartidas).

Por falar nisto, a boa combinação entre imaginação e objetividade em geral resulta em bons projetos. Também é preciso dar tempo para que o projeto amadureça, tratando dele com boa antecipação - é visível, na CAP, quando o projeto foi elaborado no apagar das luzes do prazo de inscrição. E, sobretudo, é preciso considerar a realização do projeto dentro da realidade: a coerência entre a descrição das ações e o orçamento é absolutamente necessária. (O próprio Simdec oferece uma bateria de oficinas preparatórias para elaboração de projetos nas primeiras semanas depois do lançamento dos editais. Informação na página do sistema: http://www.simdec.com.br.)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Temos de descansar temporariamente de nós, olhando-nos de longe e de cima e, de uma distância artística, rindo sobre nós ou chorando sobre nós, temos de descobrir o herói assim como o parvo que residem em nossa paixão pelo conhecimento.

Temos de de alegrar-nos vez por outra com nossa tolice, para podermos continuar alegres com nossa sabedoria.

(Nietzsche)

Meus textos em A Notícia

Convidado a voltar a colaborar para A Notícia, eis aqui os primeiros três textos que produzi:


  • 24/12/2010: A flauta de Neandertal
  • 14/01/2011: Anarcodeselegância
  • 11/02/2011: Da generosidade
  • sábado, 12 de fevereiro de 2011

    Meus cadernos de apontamentos.

    Não tenho a menor ideia da serventia deste registro, mas parece que esta é a finalidade dos blogs: partilhar registros pessoais, coisas da gente, sem o compromisso com o leitor nem com a objetividade, que um jornal ou uma revista impõem.

    Desde os 15 anos cultivo o hábito de blogar-me no papel.

    No início, acostumei-me a registrar no fim do dia ou durante os momentos livres, algumas ideias e acontecimentos que iam marcando a minha vida.

    A partir dos tempos de faculdade, meus cadernos tornaram-se também o repositório dos registros feitos em aula. Chamei-os de Apontatudos e numerei-os. Entre 1980 e 1996 e depois, em 2000, foram 31 cadernos de 150 folhas em média.

    Em 1997, adotei o título Notas de Laboratório, que resultou numa série de 7 cadernos, agora com páginas não pautadas e capas personalizadas, que procuravam ligar-se ao que estava rolando na minha vida.

    A partir de 2002, dei aos meus blogs de papel o título de Vestígios, passando a encaderná-los em capas duras, com imagens produzidas por mim. Adotei também a prática de criar um caderno de abertura, que contém minha agenda de endereços, os projetos com que venho trabalhado e textos com ideias com que ando às voltas no presente, bem como subsídios (alfabetos, tábuas de verbos, conjunções, preposições etc.) ligados à língua que estou estudando no momento.

    Talvez seja por causa destes cadernos que meu BGlog aqui no Blogspot quase não sai do lugar. ;)

    A seguir, a série de capas que produzi para meus registros desde 1997, inaugurada sob o luto da morte de Renato Russo.

    domingo, 6 de fevereiro de 2011

    O sagrado só me interessa enquanto celebração da vida. Recorrer ao sagrado para buscar alívio ou proteção dos males que nos afligem, ou vingança divina contra aqueles que nos prejudicam, ou mesmo a salvação eterna, não é em nada diferente de recorrer às drogas: ambas as atitudes viciam. Com a diferença de que as drogas - com algumas exceções - acabam matando apenas o próprio consumidor, enquanto o fanatismo religioso aliena o viciado (o que é apenas outra forma de morte) e mais facilmente se transforma num inferno e numa ameaça também para a sociedade.

    quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

    Ponderação do Samuca

    O jornalista Samuel Lima fez o comentário abaixo à resposta que Apolitário Ternes deu à minha Carta aberta.

    Pela precisão e qualidade do texto, achei que devia republicá-lo aqui.

    Caro Borges,

    A resposta do Sr. Apolinário Ternes, que posa de vestal, como um ser acima do "bem e do mal" (como se ele não tivesse lado na vida política de Jvlle, SC e país), é uma demonstração cabal de sua incapacidade para o diálogo civilizado elementar.

    Ele o acusa de "cooptado" pela máquina destruidora do Partido dos Trabalhadores (PT). Torpe, ao acusá-lo por supor que seu salário e condição atual de vida é pago com dinheiro do partido.

    O conteúdo é uma cantilena repetida pelos próceres demo-tucanos e dispensa comentário, exceto por duas acusações graves que o Sr. Apolinário poderia provar, de saída, em nome da honestidade intelectual que deveria balizar seus resmungos escritos:

         1) Lula e seus companheiros compõem uma "organização criminosa". Qual o crime e com base em que decisão da Justiça brasileira o Sr. acusa o ex-presidente?

         2) Por que o governo Lula é responsável pela "desconstrução da democracia brasileira"? Confesso que não consegui alcançar essa complexa elaboração...

    O resto é ilação pura, bílis ideológica de baixíssima qualidade.

    Ao Sr. Apolinário, porta-voz de forças políticas arcaicas de SC, podemos dizer, como Mário Quintana:

         Todos estes que aí estão

         Atravancando o meu caminho,

         Eles passarão.

         Eu

    (você, poeta BG)

    passarinho!

    Abraços fraternos,

    Samuca

    terça-feira, 25 de janeiro de 2011

    Caro Borges

    Comentário de Apolinário Ternes à minha Carta aberta, de 18/01/2011, aqui no BGlog.

    Caro Borges,

    Tentei comentar a carta no seu blog, infelizmente meu texto não saiu lá, como resposta. Então, dou a resposta por aqui e peço a gentileza e o espírito democrático de inserir lá minha resposta.

    Borges,

    Compreendo perfeitamente sua condição empregatícia e salarial para comentar meus artigos em AN. Não é fácil estar no outro lado do balcão, como já estive também. A situação é sempre incômoda, mas, com ´sensatez e equilíbrio é possível sim defender nossos pontos de vista.

    Entendo, pois, sua obrigação em defender o PT e suas cretina ação contra o país que jurou defender com ética para, depois, com cinismo absoluto, se aliar ao que de pior já existiu na política brasileira: Sarney, Barbalho, Renan Calheiros, Collor de Mello. O PT é aliado dessa gente toda!

    Durante oito longos anos, nos quais o Brasil surfou nas águas do crescimento mundial, em razão da reforma econômica do Plano Real - que o PT votou contra - e, assim, tivemos crescimento inegável.

    O custo político, contudo, exigirá uma geração até que se dissipe o mal que o PT faz à nação, assim como a Joinville.

    Não me surpreende a 'sanha' de patrulhamento ideológico que o PT faz em todo o país, tentando desqualificar, como você o fez em relação aos meus artigos - aqueles poucos que não se dobram e denunciam a 'vergonha nenhuma' instalada no país com Lula e seus 'cumpanheiros' da 'organização criminosa' em que se transformaram todos os partidos políticos e, justiça se faça, não apenas o PT.

    Enfim, oligarquia é o que PT construiu no país inteiro, com aquela banda podre da política brasileira.

    Tudo isso não é surpreendente. Surpreendente é ver um intelectual como você, escritor e professor, funcionário graduado da Fundação Cultural de Joinville, defender tudo isso! Você se apresenta como os 'intelectuais' das décadas de 1930 e 1940, na Europa, que defendiam até a morte a 'revolução bolchevique' na Rússia. São mentes tortas, apequenadas e subnutridas, incapazes de perceber a monstruosidade da ditadura 'stalinista' e as mortes de 30 milhões de russos, naquele tempo. Como agora, vocês o fazem em relação à desconstrução da democracia brasileira.

    É o que acontece com grande parte dos 'intelectuais' do Brasil, que se acovardam e tiram proveito pessoal da 'nova ordem revolucionária', especializada no saque da coisa pública.

    Borges, muito lamentável constatar que você, apesar da cultura e da informaçao que detém, também é prisioneiro da mesma armadilha de cooptação intelectual no Brasil. Voce certamente entristece a centenas de jovens que respeitavam seu passado de produção e trabalho correto em favor da nossa cultura.

    Deus que tê abençoe e ilumine!

    Abraço do

    Apolinario

    domingo, 23 de janeiro de 2011

    Arte chinesa: recorte e pintura em papel.

    Presentinhos que Regina Rizzolo me trouxe de Beijing há anos e que com grande prazer redescobri neste domingo. Agora posso compartilhar. Virão outros, dia destes.

    Paz de fim de tarde


    Cantinho remanescente da bela região no interior da baía Babitonga, no recôncavo da foz dos rios Barbosa e Jaguaruna. Ao fundo, a Serra de Barrancos, que emoldura a Vila da Glória...

    Um de meus inquilinos

    (Ou o inquilino sou eu?)

    terça-feira, 18 de janeiro de 2011

    Carta aberta.

    Escrevi este texto para ser publicado no jornal. Mas, acabou muito longo e não tive paciência para enxugá-lo sem truncar o conteúdo. Aqui, está, portanto, neste espaço de plena liberdade de ideias... e de número de caracteres. ;)

    Caro Apolinário

    Borges de Garuva

    “O fim de um mundo”, diz Alain Touraine, “não é o fim do mundo”. As grandes mudanças paradigmáticas por que tem passado a humanidade não significam tragédias, necessariamente.

    Teu artigo “Estado de indigência” (A Notícia, 16/01/2011) parece um grito desesperado de alguém que estivesse ficando para trás, que submergisse inexoravelmente no mar da História, impotente diante das novas forças que se levantaram para redefinir os cenários da vida política, econômica e social. O povo (“subserviente”, como dizes) acabou finalmente decidindo – sem armas, sem violência, assim, meio na base do jeitinho brasileiro – que os rumos tinham de ser outros.

    O Brasil, Apolinário, não é diferente de outras nações. Cada qual a seu tempo, elas foram arrancadas – pela força imperiosa do povo (“capado”, como dizes) – da paralisia histórica que as entrevava, para serem vertiginosamente encaixadas nos trilhos da mudança que as transformou para sempre. Foi assim, nos últimos séculos, com a Revolução Francesa e também – por que não? – com a Revolução Bolchevique, que acabou com os czares que vinham mantendo a Rússia 200 anos atrasada em relação aos outros países da Europa. Tem sido assim em muitos países dominados por oligarquias insensatas que mantêm sua gente, por séculos, em estado de escravidão ou de colônia – e que de repente se vêm no mato-sem-cachorro, tendo de abandonar as riquezas ilegitimamente acumuladas e fugir, na calada da noite, com o rabo entre as pernas, para algum paraíso fiscal deste grande mercado em que se transformou o planeta.

    Pois, no Brasil, caro historiador, não foi diferente – a não ser pelo estilo: aqui, o povo (“subserviente e capado”, como dizes) foi chegando devagarinho ao poder, foi entendendo que podia, que tinha lá o seu mecanismo de governar por meio de representantes, acatando princípios republicanos e democráticos e, empunhando a arma do voto, elegeu um operário e, agora, uma mulher, que, para infelicidade tua e de teus pares, não pertencem às oligarquias que sempre nos mantiveram subservientes e capados. O resultado foi muitíssimo melhor que o esperado, apesar das más heranças que temos tido de enfrentar (tu mesmo és testemunha: lembras dos tempos das “marolinhas” de que tanto tiraste sarro?).

    Por mais que o governo popular não seja aquele sonho revolucionário que alguns desejariam (mesmo porque, ao que parece, já não estamos em tempos de revoluções febris), é, sim, a marca de uma grande mudança de paradigma na história do Brasil: embora não tenham ficado para trás definitivamente, as velhas oligarquias parece que se tornaram repentinamente obsoletas, ainda que seus cantos de cisne moribundo ecoem aqui e acolá, inclusive em vozes como a tua.

    Teu texto lembra os discursos da minha juventude, nos bares da vida, em que, já avançada a madrugada, falseávamos estatísticas, conceitos, princípios, datas, fatos históricos e brandíamos acusações furiosas contra tudo e contra todos, com a facilidade irresponsável que a embriaguez nos facultava.

    É isto: teu texto é falaz e irresponsável. Desabona inclusive os esforços mais sérios da resistência conservadora contra os avanços inegáveis do governo popular, que só não vê quem não quer... ou que não pode.

    ____________________

    Leia também Histeria apocalíptica

    sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

    Um tesouro em minha biblioteca.

    Tempos atrás adquiri num sebo de São Paulo um exemplar da edição madrilenha de 1909 do Cantares gallegos, de Rosalía de Castro. A edição é bonita: capa revestida de tecido estampado e papel de boa qualidade (que, em 100 anos, ainda não foi tocado pelos cupins nem pelas traças).
    Fiz apenas leituras casuais dos poemas de Rosalía, que já havia conhecido em outras oportunidades.
    Somente agora fui realmente prestar atenção ao livrinho que comprara mais por interesse na língua da Galícia (ancestrais da minha família vieram de lá).
    Em primeiro lugar, um ex-libris de Manuel A. Ortiz. Quem foi Manuel? Conto depois.
    Então, por entre as páginas do pequeno livro, acabei descobrindo 3 recortes de jornais que não tinham jamais aparecido antes porque estavam praticamente colados ao papel do livro. Três recortes emblemáticos de jornais da Galícia, um deles, provavelmente, do "Nós", o outro do "Faro de Vigo" e o terceiro não é possível saber.


    [Continua depois do Carnaval ;) ]