sábado, 26 de julho de 2008

Tranqüila tarde de sábado nos fundos de casa.

 

Tenho um pequeno terraço nos fundos da casa. Aí se pode tomar sol e vento, apreciando as redondezas. Geralmente é pacífico, como se pode ver por este vídeo circular, tomado num momento em que já se acalmavam as vozes da vizinhança. ;~)

Brincadeira: esse dia foi exceção. Vivo num canto tranqüilo do Aventureiro, próximo a este morro que abriga hoje o Parque Morro do Finder - área de preservação, apesar dos predadores, que persistem.

O lugar é calmo. O povo, tranqüilo e simpático. As crianças não brincam o dia inteiro e os carros de som zoam mais nas manhãs dos dias úteis. Vez que outra, um vizinho ou nós aparamos a grama. Os cães ladram apenas o suficiente. Os garotos lavam os carros nos sábados pela manhã, que é quando sabemos da música de que gostam.

Tenho um mensageiro dos ventos. A folhagem farfalha na brisa que vem do mar. E há pássaros.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O peso da consciência.

Em O processo, a dança reivindica para si
o direito ao drama

Leio isto no programa do espetáculo que acabo de ver na Mostra Contemporânea do XXVI Festival de Dança de Joinville. Coreografia cíclica, limpa (embora de difícil execução), organizada como uma grande fuga a 5 vozes, cujo tema (a culpa) vai passando de uma a uma ao longo do trabalho e acaba aos poucos produzindo no espectador a sensação opressiva que se pode sentir na leitura da obra de Kafka.

Para minha sensibilidade, O processo, da Cia. Borelli, é um dos dois mais importantes espetáculos apresentados na mostra de 2008.

Não tenho muita certeza do que afirmo (é uma opinião apressada, como dizia há pouco a uma repórter), mas me parece que a mostra tem pecado por trazer ao palco trabalhos experimentais em processo (no sentido de que ainda não chegaram aonde se propõem chegar), quando implicitamente o que o público procura, sobretudo num festival competitivo, é produto bem acabado. (Aqui me coloco como o público que a organização tem em mente, conforme deduzo do que a assessoria de imprensa costuma divulgar.)

A primeira referência que ouvi sobre a peça enquadrava-a como dança-teatro. Mas, o que a epígrafe parece querer dizer é outra coisa: quando a dança reivindica o direito ao drama, não está deixando de ser dança para ser teatro - o drama é uma das propriedades possíveis da dança. Parece paradoxal que, equanto o teatro começa a querer fugir do drama, a dança queira apropriar-se dele por direito.

Mas, acho que entendo o Sandro: a grande dança - aquela consagrada pelo tempo, tornada clássica (como o Don Quixote que vimos hoje) - está na quase sua totalidade vinculada ao drama, nasce do drama, exprime-se como drama. Não necessariamente como narrativa, como um processo que, passando pelo conflito se resolve de algum modo em final feliz ou tragédia, mas como algo que se desenrola no tempo, que quer ser ou significar alguma coisa para além da própria dança. É legítimo, portanto, não pensar dança apenas como o resultado estético da exploração das possibilidades gestuais, rítmicas e expressivas do corpo, ou disso que chamam de body mnotion (pra que isto, se podemos dizer em português?!) etc. É legítimo pensar que, embora seja oportuno e necessário que os artistas da dança experimentem, pesquisem, explorem, tentem caminhos, também se dêem ao trabalho de ir mais além, isto é, de aproveitar as descobertas e os materiais colhidos na pesquisa para produzir uma obra ou um evento capaz de alcançar também mais alguém para além daqueles que vivem diretamente envolvidos com os mistérios da própria dança. Em palavras mais simples: olhar para o próprio umbigo durante a pesquisa e para a humanidade na hora da criação.

[Como o cansaço bateu, vou dormir. Amanhã continuo.]

sábado, 19 de julho de 2008

Susan Sontag: extratos de Contra a interpretação, 1.

 

Seguem aqui umas passagens que assinalei na leitura que fiz em 1988 do livro de Susan Sontag. Como não tenho todo o tempo do mundo (principalmente agora, durante o XXVI Festival de Dança de Joinville, vou começar pelo final do livro e, aos poucos, acrescentarei as dos outros capítulos.

 
Uma cultura e a nova sensibilidade1

  • A arte não progride no sentido da ciência e da tecnologia. (340)
  • O que testemunhamos não é tanto um conflito de culturas quanto a criação de um novo tipo de sensibilidade (potencialmente unitário). (341)
  • A arte hoje é um novo tipo de instrumento, um instrumento para modificar a consciência e organizar novos modos de sensibilidade. (341)
  • (...) os artistas tiveram de se tornar estetas conscientes: desafiando continuamente seus recursos, seus materiais, seus métodos (341)
  • Na realidade, não pode haver divórcio entre ciência e tecnologia, de um lado, e arte, do outro, assim como não pode haver divórcio entre a arte e as formas da vida social. (344)
  • Tipicamente, apenas certos artistas em dada época "possuem os recursos e a temeridade de viver em contato imediato com o ambiente de sua época. (...)" (341. A citação é de McLuhan.)
  • A nova sensibilidade entende a arte como extensão da vida. (345)
  • Ela [a arte] se tornou menos exagerada e o que sacrifica emtermos de explicitação discursiva ganha em precisão e força subliminar. (345)
  • (...) nós somos o que somos capazes de ver (ouvir, tocar, cheirar, sentir) inclusive mais forte e mais profundamente do que somos o conjunto das idéias que armazenamos em nossa cabeça. (345)
  • É [a grande obra de arte], antes de mais nada, um objeto que modifica nossa consciência e sensibilidade, alterando, ainda que ligeiramente, a composição do húmus que nutre todas as idéias e sentimentos específicos. (346)
  • (...) as novas linguagens faladas pela arte interessante do nosso tempo são frustrantes para as sensibilidades da maioria das pessoas instruídas. (349. Grifo meu.)
  • A nova sensibilidade é provocadoramente plurarista; voltada ao mesmo tempo para uma torturante seriedade e para o divertimento, a ironia e a nostalgia. (350)

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(1) SONTAG, Susan. Contra a interpetação. Porto Alegre: L&PM, 1987. p.338-350.[voltar]

A dança no conceito será sempre outra na cena?

 

M.E.I.O.: Reve(fe)rências. Sei que é imperdoável, mas cheguei atrasado para ver Reve(fe)rências, da M.E.I.O. Artistas Associados (Belo Horizonte), apresentado na segunda noite da Mostra de Dança Contemporânea, em Joinville. "Cinco minutos", disseram-me.

Primeiro contato com a obra foi auditivo: a voz de Meredith Monk entoando uma de suas canções (de Gotham Lullaby, de Dolmen Music). E logo o olhar constata: no palco, a voz de Meredith está materializada nos movimentos dos três bailarinos da M.e.i.o. O encanto é imediato: o que vejo em cena é dança. Contemporânea.

Gostaria de não ter preguiça de fazer o exercício de discernir claramente o que vejo em cena e, ao mesmo tempo, entregar-me ao prazer próprio do espectador: deixar-me tocar pela obra, a tal ponto que as intenções dos seus criadores me alcançassem e produzissem aqueles efeitos que a generosidade do artista busca produzir.

Minha "tradição" como espectador de dança leva-me a ler a performance da M.e.i.o dentro de um dos caminhos do contemporâneo, a dança-teatro. Mas, pelo que leio da história desses bailarinos e do grupo, há algo mais aí: essa busca de realizar uma reflexão através da dança. Isto me fascina. E, por isso, aquela minha pergunta do título.

A verdade, agora, é que os três que vi ontem ficaram dançando em mim. Dormi com eles, sonhei com eles e, pela manhã, eles haviam, sim, produzido algo em mim, como aquelas leituras de Camus (ou como o Estorvo do Chico Buarque): enquanto lemos, parecem narrativas normais como tantas outras; aos poucos, porém, infiltram-se no nosso cotidiano e seguem conosco por dias a fio, alterando sutilmente nosso modo de ver.

Peter Lavratti já dançou com o Raça, o Cisne Negro e o Grupo Corpo. Foto raptada da WorldwideDanceUK. Thanks.Aí está! O trabalho da M.e.i.o. tem algo de existencialista. E, apesar de minha leitura relativamente incompetente, a obra me penetrou.

A partir de agora, tenho dois desafios como espectador de dança: por um lado, tentar calar dentro de mim, durante a performance, aquele velho vício de querer ler tudo, interpretar tudo, explicar tudo: há coisas, na arte, que ocorrem sem que precisemos saber exatamente como; por outro lado, encontrar um modo de ir reconhecendo os aspectos próprios do fazer da dança, o vocabulário, o uso da linguagem corporal, o trabalho por trás da obra (exatamente como faço no cinema, no teatro, na literatura: reconheço os procedimentos que podem ter dado origem à obra do ponto de vista de sua construção real.

Edson Beserra já dançou com a Quasar, a Cia. Débora Colker e o Grupo Corpo. Foto raptada da WorldwideDanceUK. Thanks. Na linha do segundo desafio, penso que, apesar da evidente experiência técnica e qualidade corporal dos bailarinos da M.e.i.o. e do bom gosto geral que marca as escolhas, parece faltar algo - uma falta que nasce, me parece, de um hermetismo (eu tinha escrito "inconsistência" - mas como poderia ousar dizer isto?!) do desenho coreográfico1. (Sei, estou falando se fosse um expert, mas não sou. Apenas não encontro agora outro caminho para formular o que estou pensando: parece-me faltar à obra uma espinha dorsal, um argumento que lhe dê organicidade. Há, sei, uma proposta que está explítica no programa e no release divulgado; há uma idéia geral que comandou a realização da obra e a partir da qual deveríamos fazer nossa leitura. Mas, não encontrei correspondência entre essa proposta e a dança viva que vi na cena. (E será que isto importa? E quanto importa?

Enfim, isto é apenas um registro. Estou determinado a superar a necessidade de interpretar2. Também quero aprender a contemplar sem a necessidade de me submeter aos efeitos fáceis das narrativas. Mas, é preciso um tempo.

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(1) Fiquei confuso e enquanto não obtiver melhor informação, fica este registro: na ficha técnica do programa da MDC leio: coreografia: Peter Lavratti e Claudia Lobo; no programa da base do FDC, lemos: as peças da coreógrafa belga Anne Teresa de Keersmaeker. De quem são, afinal, as coregrafias que vi em cena? [voltar]

(2) Talvez seja hora de reler Contra a interpretação, de Susan Sontag, leitura que me balançou as estruturas no início dos anos 80 e que, me parece agora, ainda é superválida. (V. próxima nota.) [voltar]

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Como se chamará a dança contemporânea quando ela já for extemporânea?

O grande circo mística - Foto de Tom Lisboa.

Começou ontem (17/07/2008, 20h), a Mostra de Dança Contemporânea do XXVI Festival de Dança de Joinville. O público mediano que o Teatro Juarez Machado recebeu deixa evidente que isto que o festival joinvilense define como "dança contemporânea" não atrai muita gente. Sobretudo, não atrai a maior parte de bailarinos e bailarinas presentes no evento. (Estes são apaixonados por coisas mais nitidamente recortadas: clássico, jazz, folclore, sapateado, dança de rua. Ponto final.)

Agora, dança contemporânea - o que é isto? Arrisco aqui uma opinião que, embora não seja de um estudioso da dança, também não nasce de puro e simples achismo, mas de toda uma experiência como espectador que gosta de pensar sobre o que vê na cena e das minhas leituras e conversas sobre esta maravilhosa e inesgotável manifestação artística e cultural.

Podemos entender dança contemporânea1 como:

  1. um conjunto de novas técnicas que, aos poucos, vêm também se consolidando em torno de linhas (Cuningham, Graham, Limón-Hamphey-Weidman, Laban, Alexander) que combinam elementos tais como alinhamento, centramento, contração, equilíbrio/desequilíbrio, conflito/emoção, gravidade, liberação, queda, recuperação, tensão/relaxamento, respiração, suspensão etc. - cada termo destes com suas variantes em conceito e tradução;
  2. o conjunto das obras criadas na atualidade com base na combinação das diferentes atitudes do nosso tempo em relação à expressão estética com o patrimônio acumulado dos vocabulários da dança - tanto dos novos, nascidos da aplicação das ditas técnicas contemporâneas, quanto do clássico, que, por oposição a esses "novos", imaginamos congelado no tempo, mas não: trata-se apenas, na minha visão de leigo, de uma espécie de "reserva de mercado" do meio profissional do balé tradicional, que pretende entender que o acervo de passos, posições e soluçõs coreográficas da dança clássica não podem mais sofrer transformações e nem devem variar jamais.

Qualquer que seja o viés por onde se queira enquadrar a dança contemporânea, sempre surgirão dificuldades para classificar (e/ou qualificar) os espetáculos criados no tempo presente - o que, me parece, é problema dos especialistas. Para nós, o público, os fruidores de dança em geral, a questão está na atitude com que nos colocamos diante do espetáculo, pois dessa atitude depende o maior ou menor proveito que poderemos ter da obra.

Hoje, vimos Luís Arrieta, que abriu a Mostra com seu Carnaval dos animais (música de Saint-Saëns). Depois, o Riscas mostrou o seu Escape. Bonitos ambos. Gosto mais do que propõe Arrieta, porque o trabalho do Riscas ainda está, do meu ponto de vista, em construção: tem coisa ali acontecendo apenas para dar tempo à duração da música, isto é: a coreografia, em alguns momentos, é apenas um esboço.

Mas, mesmo Arrieta, aqui, está colocado como que para legitimar a tendência redutiva em relação à contemporaneidade da dança que sinto no festival de Joinville (evidente já no fato de colocar, na mostra competitiva, a modalidade de dança contemporânea nas mesmas noites da dança de rua, quando se sabe que os públicos atraídos por estas formas são quase total e absolutamente diversos). Por que a mostra de dança contemporânea não pode abrir com um grande bailado contemporâneo do nível de O Grande Circo Místico2? Por que, enquanto o festival abre com um bailado completo do repertório clássico (O lago dos cisnes, do Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro) e tem ainda uma noite de gala com outro ballet completo do nosso Bolshoi (Dom Quixote), a mostra contemporânea tem de abrir com um solo e um espetáculo que requerem uma leitura de público mais habitué? Por que isto é próprio do contemporâneo? Não: é porque a organização parte de um pressuposto nascido do senso comum de que "o público não gosta de contemporâneo, então não vale a pena investir muito no contemporâneo".

Seremos, nesta mostra paralela, um público privilegiado? O contemporâneo está aberto a todos os conceitos e tende a tocar mais profundamente os espectadores abertos para os horrores e as maravilhas de sua própria época (estes turbulentos inícios do século XXI) - o que não quer dizer que deva justificar a posta em cena de laboratórios, exercícios preparatórios ou pirações terapêuticas particulares.

Penso que, em termos de dança, a atitude do espectador deva ser semelhante àquela com que encaramos a música contemporânea: embora sempre aberta à experimentação e à exploração de novas possibilidades, é preciso que a música seja música, isto é, que seja construída por meio da linguagem da música - não aquela das clássicas cadências V-I, IV-I etc., mas, através de novas soluções sonoras e novas resoluções harmônicas que dêem origem a um discurso musical intencional, coerente com uma gramática legível para o ouvinte ou o espectador.

Um dia, talvez, por insistência de coreógrafos e bailarinos que sonham com a possibilidade de combinar na cena os diversos idiomas que a dança explorou e construiu ao longo de sua história (articulados inclusive com os dialetos locais, como já estamos vendo acontecer no Bolshoi de Joinville), a Mostra de Dança Contemporânea do maior festival de dança do mundo ganhe o status que toda arte contemporânea merece: ela é criação de gente viva voltada para a sensibilidade do nosso tempo. ___________________________

(1) O respeito que tenho pela história não me permite admitir a designação impensada de "pós-contemporâneo", como há quem queira chamar as formas ainda mais recentes da dança. Pós-contemporâneo é uma idéia absurda e irresponsável.

(2) A remontagem de O Grande Circo Místico, do Ballet Guaíra, com coreografia de Luis Arrieta, apresentou-se em Joinville no festival de 2003.

domingo, 13 de julho de 2008

A REVI, um experimento de comunicação.

De 1992 a 2006 trabalhei como designer e programador da Rede Bonja (o provedor interno do Instituto Bom Jesus/Ielusc), que ajudei a criar, juntamente com Andrey Allage e uma série de colaboradores que, mais tarde, foram reunidos no Setor de Comunicação e Recursos Digitais, o Secord.

Em 1998, o professor Edelberto Behs, coordenador do Curso de Comunicação Social solicitou-me a criação de um espaço para que um grupo de alunos bolsistas pudesse exercitar o jornalismo digital, criando e publicando matérias sobre a vida cultural da cidade. Sérgio Murillo, então nosso professor, seria o coordenador do projeto.

Idealizei uma estrutura a que dei o nome de REVIsta Virtual, Primeira logomarca da Revi, que eu próprio desenhei em agosto de 98. que depois veio a ser a Revista eletrônica do Curso de Comunicação Social, que está prestes a comemorar, portanto, 10 anos e que vem se consolidando como um espaço para o exercício do webjornalismo e da leitura crítica da comunicação.

Mesmo tendo deixado a Rede Bonja em 2006, a Revi continua sendo um projeto que me fascina e para o qual, se pudesse, daria minha permanente colaboração. Mas, o que posso, no máximo, é fazer aqui e ali pequenas manutenções no sistema e torcer para que, adotando uma nova tecnologia de publicação, o veículo não se reduza apenas a um bloguezinho de opiniões achísticas, tal como tantos que borbulham profusamente por aí e que se consideram diferentes.

Recentemente, a Revi foi depredada por alguém familiarizado com o sistema de publicação, o que me levou a trabalhar com os scripts para inserir alguns dispositivos de segurança. Ao manipular as rotinas, comecei a perceber o quanto havia investido de dedicação em pesquisa, em planejamento das ferramentas, em tratamento das propostas que os diversos professores e bolsistas da Revista me apresentaram ao longo dos anos entre 2003 (quando assumi o projeto tecnológico da Revi) e 2006, quando saí do Secord.

Pensei, então, em escrever um pequeno ensaio sobre o projeto, procurando historiar o desenvolvimento tecnológico da Revi. O ensaio se encontra agora relativamente adiantado e vou pincelando aqui algumas das idéias que já reparti com pessoas ligadas ao projeto - professores e estudantes.

Além da memória e dos meus apontamentos pessoais, estou utilizando para a elaboração deste texto os documentos que tenho armazenados. Trata-se de um acervo que vem crescendo desde a primeira forma da Revi. A partir de 2002, adotei a prática de guardar também as matérias publicadas: são 4.824 títulos distintos só de 2003 para cá - um acervo que registra aspectos importantes da história do Instituto e (por que não?) da cidade.)

O sistema de gerenciamento de matérias da Revi - que designei como Sigmat - nasceu de uma colaboração pessoal minha para o Curso de Comunicação Social. O que era para ser apenas um diretório em que o grupo pudesse depositar os seus arquivos, virou já em 1998 uma publicação, com campos automáticos, tickers, editorias distintas etc. Na época, era tudo HTML e Javascript, apenas. Quando conheci mais de perto a dobradinha PHP/MySQL eu já dominava as Cascading Style Sheets e estava de olho na XML. Abriu-se então o caminho para o Sigmat, que foi construído durante os anos de 2003 a 2006 e que vou deixar definitivamente incompleto por não ter mais disponibilidade para a programação.

Passei dias e noites - até madrugadas (a maior parte fora do expediente, nos fins de semana, na casa de praia em tempo de férias, porque não podia interromper as outras atividades do Secord) - trabalhando nos cerca de 400 arquivos de rotinas e nas suas quase 8.000 de linhas de código necessárias para exibir telas, processar registros e gerenciar o banco de dados da publicação, que compreende 164 campos.

Naquela época, não pensei demasiadamente em segurança, porque estava criando uma ferramenta provisória para o exercício do jornalismo digital (tanto quanto possível dentro dos princípios do webjornalismo, que estava nascendo e que pesquisei bastante) - e uma ferramenta que deveria ser usada, experimentada e desenvolvida por estudantes e professores, no âmbito da produção acadêmica. (Não pensei, então, em vândalos e invasores, mas tudo bem, agora.)

Meu sistema, que foi construído meio "a machado", porque veio sendo elaborado ao longo do processo, com a Revi sempre on line, está destinado desde 2006 a retirar-se para dar lugar a um outro mais ágil, mais seguro, mais robusto, mais juvenil, assim que apareça alguém no grupo da Revi interessado também pelas tecnologias de armazenamento, processamento, indexação, resgate e exibição dos conteúdos digitais e por práticas mais avançadas do webjornalismo.

Os grandes jornais que conheço e que tenho freqüentado ocasionalmente desde os meus primeiros momentos no modo gráfico da internet (lá por 1995) - A Notícia, Le Monde, La Nación, Folha, New York Times, El Espectador -, são todos praticamente a mesma coisa, sempre: uma tela com um timbre, alguns menus em cima, à esquerda e/ou à direita, e áreas (ou quadrantes ou editorias) em que aparecem - sempre em dimensões, cores e efeitos padronizados e selecionáveis a partir do dispositivio de editoração - os leads das matérias e uma que outra foto. A diagramação é radicalmente automática. Os editores geralmente determinam apenas o status que a matéria deve ter, porque, segundo seu status, a matéria vai automaticamente aparecer, com um certo tratamento visual, numa região ou noutra da capa do jornal (capa, aqui, usada como o home ou "casa" no home page do inglês).

Claro, existe também um jornalismo digital mais plástico, mais artístico, que tem produzido obras incríveis. Mas, então já se trata de criações de gente ligada à publicidade ou às artes visuais e que são em geral trabalhos autorais, pesados, que requerem quase sempre tecnologias proprietárias e bandas cada vez mais largas para sua operacionalização.

Mas, o debate sobre o que seja ou não o webjornalismo e suas práticas e possibilidades já é assunto do Curso de Comunicação Social e do próprio grupo da Revi, que vem aos poucos experimentando possibilidades e desenhando na prática uma história que está sendo escrita também em todos os outros veículos digitais do planeta.

O meu artigo focará apenas o suporte digital da Revi e sua evolução a partir de possibilidades tecnológicas e de demandas apresentadas pelos diversos grupos de professoes e bolsistas que por ela passaram desde 1998. Tal suporte (constituído basicamente por um alimentador de matérias ou de conteúdos e um diagramador de capas), permite a decupagem dos conteúdos em elementos que podem ser armazenados separadamente de suas propriedades visuais - princípio dos documentos inteligentes e portáveis, cuja implementação tem sido possível pela combinação de tecnologias como a HTML, o JavaScript, a XML, o CSSL, o PHP, o MySQL e uma série de outras - todas abertas, públicas, genéricas e fruto de criação coletiva1.

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(1) Visite a base do W3C (The World Wide Web Consortium), em http://www.w3.org/.
Gosto de fotografar nuvens quando ando pelo céu.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Desaparecimento provisório

Não se preocupem, amig@s: o fato de estar tão paradinho este meu blog não significa que sumi ou que abandonei o interesse pelas coisas e o gosto pelas escrituras. Projetos mais urgentes chamam-me e, por outro lado, a falta do hábito de escrever regularmente para a rede me afasta deste canal. (Pela manhã, em vez de escrever, leio os jornais enquanto como as frutas.) Aos poucos, aprendo. Enquanto isto, observo e/ou produzo:
  • a negociata franco-ianque para a "libertação" do cabo-eleitoral (ou seria caba?) Ingrid Bettancourt;
  • um desconforto indefinível em relação a temas sobre os quais tenho a impressão de que já tive mais clareza (a Amazônia, os índios brasileiros, o patrimônio histórico, a segurança);
  • as eleições que se avizinham;
  • a coleção de crônica da Cena 5, enfim chegando à sua forma final;
  • a expectativa em relação aos (novos) parques da cidade;
  • a Casa Brasil Joinville/Sul, que me fascina e cuja operacionalização está sendo um desafio;
  • a Revi, que passa por uma revisão de projeto e de tecnologia;
  • o sonho da fundação que será mantenedora do Centro Cultural Deutsche Schule e que vai contribuir para a vida cultural e educacional de Joinville;
  • projetos do Compassolivre e da Metamorfose Cia. Cênica;
  • a Acinej que se acende nas mãos de Alceu Bett e outros colaboradores;
  • a irritação contra o entregador de A Notícia, que joga quase todos os dias o jornal sobre minhas plantas (e, se eu estiver passando por ali, contra a minha cabeça)... deve ser de raiva por ter de acordar tão cedo pra me entregar o exemplar diário);
  • umas saudades de Caroline Liza, que está em Perugia, colaborando no Umbria Jazz, onde se apresentarão, entre outras maravilhas, Caetano Veloso e Cassandra Wilson.
  • o Festival de Dança que começa a esquentar a expectativa;
  • uma irritação cheia de enfado em relação à PNL e suas derivações;
  • etc.
  • etc. E assim caminho eu com a humanidade. Volte. E, se bater a inspiração ou a saudade, m' escreva!

domingo, 4 de maio de 2008

Sinais de vida aqui no BGlog.

Pois é, amigos, pra que não pensem que apaguei, antecipo aqui uma notícia que talvez possa interessar aos meus raros e ocasionais leitores: o Outono que se pronuncia e o ano que avança já pras férias de julho me convidam a escrever e os primeiros vestígios virão a público em breve. Enquanto isso, vou dando uns retoques em dois de meus trabalhos que sairão à luz ainda em 2008: o texto dramático em versos Ao velho violinista (que escrevei em 2004 e foi lido pela primeira vez a convite de Nando Moraes na Sala Antonin Artaud, na Univille) e A guerra da lua (meu primeiro romance - na verdade, uma novelinha tríplice ou um conto que se desdobra num tríptico -, que já completou 12 anos e que ninguém leu ainda porque ficou abandonado nas minhas gavetas!). Mas, sinto que não há pressa de nada. Os ciclos da vida têm o seu tempo e o mundo pode passar tranqüilamente sem a minha literatura. Vocês, eu sei, não podem ;)

domingo, 27 de janeiro de 2008

Coisas que vão desaparecer... (I)

Enxaimel na estrada Dona Francisca
Alambique no Cubatão

Casa de madeira remanescente na esquina da
Rua Tuiuti com a Santos Dumont
Aventureiro - Joinville, SC

Coisas que vão desaparecer
(proposta para um ensaio fotográfico)

Almocei, li, descansei. O sol voltou. Está quente.

Vou sair rumo aos rios ao pé da Serra do Mar. Aproveitarei para pôr em prática a idéia que me ocorreu na última sexta-feira – fotografar coisas que vão desaparecer: uma casa de madeira na esquina da Tuiuti com a Santos Dumont; um velho paiol que há muitos anos abriga um alambique; o verde já quase dourado das arrozeiras etc.

À noite, compartilho as fotos aqui.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Ando às voltas com a leitura de duas obras – Carta a uma nação cristã, de Sam Harris, e Deus, um delírio, de Richard Dawkins –, ambas voltadas para o problema das religiões como terrenos propícios aos fundamentalismos que nos afastam cada vez mais vertiginosamente da possibilidade de um mundo mais pacífico e menos propício ao sofrimento. Quero aqui pontuar apenas uma das numerosas preocupações que movem Sam Harris em sua Carta a uma nação cristã (que é uma resposta aos leitores de seu livro anterior, O fim da fé):

"(...) apenas 12% dos americanos (*) acreditam que a vida na Terra evoluiu atravéSam Harriss de um processo natural, sem a interferência de uma divindade. Para 31%, a evolução foi ´guiada por Deus´. (...) 53% dos americanos são, na verdade, criacionistas. Isto significa que, apesar de um século inteiro de descobertas científicas que atestam como é antiga a vida na Terra, e mais antigo ainda o nosso planeta, mais da metade da população americana acredita que o cosmos inteiro foi criado há 6 mil anos. Diga-se de passagem que mil anos antes disso os sumérios já tinham inventado a cola. Os que têm o poder de eleger presidentes, deputados e senadores – e muitos dos que são eleitos – acreditam que os dinossauros sobreviveram aos pares na arca de Noé, que a luz das galáxias distantes foi criada da mesma forma como a Terra e que os primeiros membmros da nossa espécie foram modelados a partir do barro e do hálito divino, em um jardim com uma cobra falante, pela mão de um Deus invisível.

Entre os países desenvolvidos, os Estados Unidos estão sozinhos ao adotar estas convicções. De fato, tenho a dolorosa consciência de que meu país hoje parece, como em nenhum outro momento da sua história, um gigante belicoso, desengonçado e mentalmente obtuso. Qualquer pessoa que se preocupe com o destino da civilização faria bem em reconhecer que a combinação de um grande poder com uma grande estupidez é simplesmente aterrorizante, até para os amigos. (**)

Embora – pelas limitações próprias de todos os humanos no sentido de nossa incapacidade de abarcarmos toda a vastidão da realidade com um conhecimento preciso e final - possam Harris e Dawkins nem sempre referir-se a tudo com o mesmo grau de lucidez, o objetivo principal com que se colocaram em público com obras tão polêmicas é irretocável: embora não definitivas, são contribuições respeitáveis para que um pensamento mais livre encontre espaço junto aos leitores em geral.
_______________
(*) Harris está falando dos habitantes dos EUA e não de nós, que também somos americanos, mas aqui do Sul.
(**) HARRIS, Sam. Carta a uma nação cristã. São Paulo : Companhia das Letras, 2007. p. 15-16).

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Se é que alguém já passou por aqui, deve ter-se admirado do silêncio que reina no meu blog há 20 dias! Digamos que estou de férias: as postagens são rabiscadas ao longo dos meus passeios por bares e rios. Depois, a preguiça impede-me de digititá-las, de modo que vão ficando por lá, no meu caderno, mudas. Quem sabe, um dia, elas venham como memória aqui pra meu cantinho digital. E, por hoje, é só.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Cada vez que vou ao Piraí, a serra me aparece de um jeito diferente. Aqui está uma prova da magia que vivi ontem ao anoitecer.

Que venha o inverno.

O Liverpool vai ser com certeza um dos bons cenários para nossos encontros ao longo de 2008 em Joinville. O ambiente é aconchegante, com seu bar e suas mesas de snooker; o atendimento, bom; a luz, perfeita. Dá gosto.

Combato o bom combate.

Sempre que estou de férias tendo a ser dominado por uma espécie de sensação de inutilidade. Por mais que invente modas (horta, boas conversas com amigos, banhos de rio e mar - e até escritos e leituras), parece que estou deixando de fazer algo importante. É o trabalho,com certeza, que me falta.

Pois bem, vou bater-me durante todos estes dias com este meu vício de trabalhar sem parar. Como não sou de ferro, terei de substituí-lo por outras atividades que, no fundo, também são trabalho. Mas, vou fazê-lo com aquela displicência gostosa com que somente nas férias posso encarar as minhas coisas.

Um das atividades saborosas destas minhas férias será o levantamento fotográfico que pretendo fazer dos recantos de lazer acessíveis nas redondezas. De muitos deles, já tenho imagens anteriores, que resgatarei; de outros, preciso colher fotos e infos.

Então, tá.


Amanhecer em Figueira do Pontal (dezembro de 2006). Este trapiche feioso continua lá. Serve a uma marina local. Antes, víamos, para além dele, o Morro do Forte, em São Francisco do Sul. De qualquer modo, este recanto da baía Babitonga contiinua a ser bonito. Mais à direita desta imagem, na continuação da praia rumo à Figueira e à foz dos rios Barbosa e Jaguaruna, está sendo implantado o cais do terminal portuário de Itapoá. Claro que o cais vai ser um caos na paisagem. A longo prazo, porém, integrar-se-á a ela e as gerações futuras somente saberão de como era o mundo por aqui através das minhas fotos e das de outros apaixonados pelo lugar.

Itapoá e seus balneários (Figueira, Pontal, Bamerindus, Itapoá, Itapema do Norte e Barra do Saí) passaram por mudanças significativas nos últimos anos, mas continuam atrativas como praias. Se a municipalidade não dá conta de expandir adequadamente a infra-estrutura (no verão, falta água; a luz é precária; trafegar pelas vias públicas torna-se quase insuportável) e uma parte significativa dos visitantes não colabora (gente burra joga muito lixo por toda parte; os babacões vomitam a barulheira dos seus carros entupidos de música brega por toda parte etc.), os 38km de praia continuam ali. Em muitos pontos, mesmo no verão há grande tranqüilidade.

Abaixo, a praia de Itapoá em maio de 2007, num foto tomada a partir da pista de skate.

Ao lado, a região do Iperoba, além do canal, em fotografia tomada de uma das mesas da Lanchonete e Restaurante do Francês (o Jean), em Pontal do Norte.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Primeiras tardes do Verão

É assim: qualquer cantinho de água limpa é um convite pro corpo. Como olhar não tira pedaço de ninguém, parte do tempo nadamos e outra parte, contemplamos a vida que brinca.



Aqui, um momento no Recanto Tio Leopoldo, na localidade de Frias, no Sahy (São Francisco do Sul). Abaixo, Euson, no Parque Caminho das Águas.

Euson numa das piscinas do Parque Caminho das Águas. Foto Borges de Garuva, 2007.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Cidade sitiada

Dos passeios de ontem restou uma espécie de sensação do day-after: não por nada, não - bebida, ginástica, esticada, não. Mas, dê uma olhadinha (e uma escutadinha) neste video que você vai entender a minha ressaca.

Agora, multiplique isto por todos os rios que banham a região oeste da cidade e por todos os recantos do litoral, a leste, e também nos parques do norte e do sul e no Monte Crista... e você terá uma idéia da dimensão do cerco que vivemos.

Paz? Talvez... no inverno.

sábado, 22 de dezembro de 2007

As tentações (1)

Joinville. Região agrícola do Piraí. Ao fundo, o Pico Jurapê, referência da cidade. Foto de Borges de Garuva, 2007.Só pra lhes dizer por que sou um escritor preguiçoso, seguem aqui, a partir de hoje, algumas pequenas amostras das tentações que tenho de vencer pra poder concentrar-me na dura tarefa de burilar os muitos textos que tenho relegado às gavetas.
A de hoje refere-se à tarde maravilhosa que passamos, Euson e eu, no Piraí. A começar pelo almoço simples e gostoso no Bar e Lanchonete Piçarras, cujo proprietário - o Nelson - serve sempre uns inventos interessantes à base de frutos do mar. Hoje, porém, comemos churrascos. Robson Benta, ator e diretor de teatro. Foto Borges de Garuva, 2007. Uma das piscinas do Parque Caminho das Águas. Ao fundo, a Serra do Mar. Foto Borges de Garuva, 2007.
Depois, o encontro com Robson Benta, o ator de Emparedado e velho companheiro de teatro aqui em Joinville.
Finalmente, as horas quase jubilosas passadas no Parque Caminho das Águas, cujas três piscinas são feitas de areia e mantêem-se com as águas cristalinas e frescas de um dos muitos rios do Piraí. Como são esvaziadas na segunda-feira e reenchidas apenas na sexta, a areia do fundo permanece sempre limpa. A gente guarda os carros sob as árvores - há sombra em profusão. Há churrasqueiras, mesas, toldos. As piscinas servem pra gente grande e pequena, no porte e no domínio do nado. A mais funda delas tem 2,25m e a mais rasa, 1,80 nas partes mais profundas. Há uma pequena lanchonete e também sanitários e chuveiros. O atendimento tem sido sempre bem cordial. Voltarei lá, talvez com algum escrito inacabado debaixo do braço. ;)

Nacos de paraíso.

Fui anteontem a Barrrancos, em Garuva, para o lançamento do livro de Gleison Vieira, Porto Barrancos berço de Garuva.
Tendo saído já atrasado de Joinville, acabei chegando depois do evento. Mas, tive oportunidade de saudar o prefeito João Romão, além do autor, Dona Lucila e outras pessoas - e de apreciar o peixe frito e a sopa de peixe que a comunidade havia preparado para o aniversário de 200 anos do lugar.
Fiquei admirado com o respeito dos presentes (gente de Garuva, Itapoá, Joinville) para com o trabalho do jovem historiador. Bom começo de carreira para Gleison Vieira, que é professor na escola Carmen Seara Leite, onde comecei meus estudos em 1960.
Fazia tempo que eu não passeava pela região. Atravessei o estreito do Gibraltar (na Vigorelli) com a balsa do meio-dia. Claro, tive de dar uma paradinha no recanto que existe logo depois que tomamos a estrada de Barrancos (em Tornos dos Pintos), onde, na semana passada, fiz umas fotos bem convidativas.
No ir e voltar desse cantinho de mundo, coletei outras imagens, algumas delas da grande pedra do Cantagalo, que já fotografei de numerosas posições por toda a região. Um dia espero ter a paciência e a determinação do Gleison para coletar os causos que a gente do lugar conta acerca desse morro, o ponto mais alto da Serra de Barrancos, uma extensão da Serra do Mar que se estende de Garuva até o distrito do Saí, na Vila da Glória.